Acabou, isto não vai mudar

“Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria. (Mt. 7v61)”


      Imaginemos a cena, onde duas mulheres decepcionadas, e talvez em silêncio, pensando o que seria da vida à partir daquele dia. Tudo havia acabado, o fim de uma longa espera, o fim de um sonho. E as promessas, o que teria sido feito delas? Será que seria mais um blefe?
      A tristeza causada pela decepção tolhe a percepção, encurtando a visão, causando também a desmotivação e levando ao estado de estagnação e inércia doentia, provocando doenças e reações emocionais que podem levar a uma profunda depressão.
      Este quadro que pintei, parece ser um excesso de negativismo. O que não é a intenção, pois não sou prosélito do derrotismo e muito menos pretendo alarmar ou despertar do sono os que estão dormindo a madrugada do descanso mental que oferecem o precioso tempo para ler o nosso abençoado jornal.
      Estavam sentadas próximo do sepulcro, pois era o lugar onde haviam colocado a esperança. Já vi inúmeras pessoas que passam horas e dias a lamentar junto ao túmulo de parentes e amigos a separação causada pela morte. Assim estavam Maria Madalena e a outra Maria. Como vislumbrar um futuro promissor se em quem havia sido depositada a esperança estava ali, inerte, não respondendo mais, não ouvindo mais, não curando mais, não ressuscitando mais. Mais difícil ainda seria contemplar eu e você sendo abençoados por Ele, em um tempo tão distante daquele.
      O Nosso Cristo veio daquela perda que elas sofreram! Milhares de corações que choram têm tido ressurreição, no meio de sua tristeza; mas os observadores chorosos olham para o prenúncio de vida que lá despontam e nada vêem. O silêncio da morte que trás a quietude reflexiva era o momento que Jesus repousava para ressurgir em glória e força triunfante sobre a morte e seu poder.
      Elas não viam isso, lamentavam e choravam, e foram-se; depois voltaram ao sepulcro, movidas pelo coração. Ainda não passava de um sepulcro – sem futuro, sem mensagem, sem significado.
      Conosco também é assim. Sentamos em frente ao sepulcro no nosso jardim, e dizemos: Tudo acabou, isto não vai mudar, desta vez, não vou suportar, foi forte demais para mim.
      Mas em muitos casos, é em meio as maiores adversidades que se manifesta o poder de Cristo.
      Onde parece estar a nossa morte, está a revificação da nossa esperança, onde as trevas são mais densas, é justamente que refulge o brilho da luz salvadora de nosso Senhor Jesus Cristo.
      Quando vencemos a desconfiança e a decepção, o jardim parece ter flores novas, onde, seu cheiro acaricia o nosso olfato, o sepulcro torna-se um grande marco na nossa vida, nossas alegrias se tornam melhores se há tristeza no meio delas. E as nossas tristezas são iluminadas pelas alegrias que Deus plantou à sua volta. As flores podem não ser as que mais gostamos, mas são flores do coração, amor, esperança, fé, alegria, paz. Estas são flores plantadas ao redor de cada sepultura cavada no coração do crente.
      A esperança para o ferido, ainda que na terra envelheça a raiz e no chão abandonado o seu corpo morrer, há esperança pra você!

Pastor Josué José da Costa (JJC),
pr.josuedacosta@advalovelho.com