Ciro declara necessidade de construir o Templo
 
Rei da Pérsia convida os judeus à Jerusalém para edificarem a Casa do Senhor.
 
No ano 538 a.C. Ciro, rei da Pérsia, como reconhecimento por tudo o que Deus o havia concedido, convidou os judeus para a construção da casa do Senhor.
 
Como decretou o rei, assim os sacerdotes, os levitas e todos aqueles cujo espírito de Deus despertou, subiram para Jerusalém. E todos que habitavam nos arredores, voluntariamente, deram vasos de pratas, com ouro, com fazendas, com gado e com coisas preciosas para a construção do templo.
 
A construção do templo contou com a presença de vários judeus com um destaque para dois personagens: Esdras, encarregado de resgatar a comunhão do povo, e Neemias, incumbido de reedificar os muros.
Por quê um destaque para Esdras e Neemias?
O texto acima relata uma história muito conhecida e citada em várias pregações nas reuniões que participamos, periodicamente, na igreja. Mas... Por quê um destaque para Esdras e Neemias? A pergunta lançada, no mínimo, aguça a curiosidade do leitor.
 
Bom... Uma vez que foi lançada, tal pergunta deve ser respondida. No entanto, é interessante uma reflexão para que, o caro leitor, chegue por si só a uma resposta. Para intensificar essa reflexão vamos reiterar a narrativa que se passa nos livros de Esdras e Neemias.
 
No capitulo sete do livro de Esdras vemos Artaxerxes (rei da Pérsia entre 465 e 424 a.C.) enviar Esdras, escriba – entendido na Lei de Moisés – para buscar a Lei do Senhor, cumprir, e para ensinar seus estatutos.
 
Próximo ao rio que vai a Ava, ficaram acampados por três dias Esdras e seus acompanhantes. E logo jejuaram para se humilharem perante o Senhor. Já em Jerusalém, alguns príncipes chegaram a Esdras dizendo que o povo de Israel, que foram consagrados pela aliança com o Senhor, estavam se misturando com aqueles que estavam fora da Lei (impuros).
 
Esdras então começou a rasgar seus vestidos e arrancar os cabelos da cabeça e da barba e se assentou atônito. No momento do sacrifício, à tarde, Esdras se põe de joelhos e, confuso e envergonhado, pede perdão a Deus pelas iniqüidades do povo. Enquanto Esdras orava e fazia confissão, Secanias (filho de Jeiel) encorajou a Esdras dizendo que nem tudo estava perdido.
 
Então Esdras elegeu os homens cabeças de famílias para interrogar quem havia se casado com mulheres estrangeiras. E todos que se achavam em tal pecado prometeram despedir suas mulheres.
 
Vemos aí a preocupação de Esdras para com os preceitos do Senhor. Desse modo, o zelo e o cuidado que tinha pela Lei de Moisés nos leva a entender que Esdras foi literalmente um “defensor” da obra de Deus.
 
Um outro personagem, citado no inicio desse texto, também pode ser considerado um “defensor” da obra de Deus. Neemias. Este, pede ao rei para que o envie à Judá para reedificar os muros de Jerusalém. Ao chegar à cidade, Neemias anima o povo para reedificarem os muros. Porém, Sambalate e Tobias começaram a zombar e a desprezar os que estavam envolvidos naquela obra.
 
E vendo Sambalate e Tobias que a reparação dos muros ia avante, se prepararam para atacar Jerusalém. Sabendo Neemias que os inimigos estavam planejando um ataque, metade de seus homens trabalhavam na obra e outra metade empunhavam lanças, escudos, arcos e couraça, e outros com uma mão trabalhavam e com outra mão empunhavam espadas. Tudo isso para “defenderem” a obra do Senhor. E assim prosseguia e re-edificação dos muros.
 
Porém, problemas internos começaram a surgir, e alguns já murmuravam por conta do grande esforço que, segundo eles, estavam fazendo. Ouvindo Neemias as murmurações, num ato de ousadia repreendeu os nobres e magistrados: Nós resgatamos nossos irmãos que foram vendidos e vós outra vez negociaríeis para que sejam vendidos a nós? Disse mais: não é bom o que fazeis; porventura não devíeis andar no temor de nosso Deus?
A atitude de Neemias estava moldada por um bom exemplo, pois desde que foi nomeado governador, nem ele nem seus irmãos comiam do pão como governador e nem compravam terras e grande parte do que preparavam (bois, ovelhas e aves) eram às custas de Neemias.
 
Assim como Sambalate, Tobias e alguns murmuradores, vemos nos dias de hoje muitos querendo atrapalhar o bom andamento da obra do Senhor. E qual tem sido nossa atitude? Queremos destaque e reconhecimento, mas será que somos defensores da obra do Senhor? Será que temos defendido nossa igreja?
 
É uma questão pra se pensar...
Cleomar S. Lima