CDs Gospel está na Preferência Nacional

      No país que já produziu fenômenos comerciais musicais como grupos de axé, pagode e duplas sertanejas que vendem milhões de CDs, uma virada não tão silenciosa está surpreendendo o mercado. Recentemente, a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), com sede no Rio de Janeiro, divulgou o seu relatório anual sobre o desempenho de vendas do setor fonográfico no Brasil em 2004. Paralelamente, também apresentou números do primeiro semestre deste ano. Graças às vendas de DVDs musicais, que praticamente dobraram em questão de meses, o mercado teve crescimento de 17% no ano passado. Já agora, os indicadores mostram o inverso: uma queda de 12,9% do que sai das prateleiras das lojas. Dentre tantos gêneros, apenas um segue forte na preferência do público e ganhando destaque: a música religiosa, puxada pelo gospel, que a passos largos tem superado verdadeiros medalhões da mídia em geral.
      O ranking de CDs mais vendidos nos primeiros seis meses de 2005, de acordo com a ABPD, aponta o pop rock como líder na preferência. A música religiosa, que já em 2003 estava em segundo lugar, agora está empatada com o sertanejo. O pagode e o samba ficaram na quarta posição. Já o regional, o forró e a música popular brasileira dividem a quinta colocação. O sexto posto é ocupado pelos inúmeros grupos de axé, antes muito fortes, e nos últimos tempos enfrentando uma queda vertiginosa, seguido de perto por CDs infantis e de música clássica. Desse total de vendas, 79% das unidades são de produtos nacionais e 21% internacionais.
      “Apesar de não dispormos de dados estatísticos que apontem para os níveis de vendas no segmento gospel, nossa pesquisa de mercado relativa ao ano de 2004 aponta para uma preferência de 13% do público consumidor de CDs musicais por esse gênero musical, em empate técnico com o gênero sertanejo, no segundo lugar da preferência do consumidor brasileiro. O primeiro lugar é ocupado pelo gênero pop rock, com 34% da preferência do público”, afirma o diretor-geral da ABPD, Paulo Rosa. “Alguns fatores nos fazem acreditar que o gospel tem uma receita de sucesso mais bem acabada do que o mercado convencional. Primeiro, porque o seu público é mais fiel e gosta de consumir o material que é produzido no setor. “As pessoas se identificam muito com esse tipo de música e fazem questão de comprar, de ter em casa”, afirma o jornalista e crítico musical Sérgio Carvalho. “Outro detalhe importante é a organização desse setor, que é muito melhor do que a dos outros gêneros. Enquanto o grande mercado aposta no que está na moda e pode sair no prejuízo, o mundo gospel trabalha com algo que tem uma base mais sólida diante do seu público”, completa ele.
      Segundo informações divulgadas pela própria ABPD, no caso dos DVDs musicais, o público tem um perfil jovem e faz parte da classe B. Essa característica representa 52% dos compradores. No mesmo levantamento da associação, a MK Music aparece com 32 trabalhos premiados com discos de ouro, de platina ou platina duplo. Ainda de acordo com a pesquisa divulgada pela ABPD, a MK foi a gravadora do segmento que mais premiou cantores com CDs de ouro e platina, no ano de 2004. Um dos principais obstáculos para a venda em geral de mais CDs é a pirataria. Um levantamento realizado pela Federação Internacional de Indústria Fonográfica aponta que um em cada três discos vendidos no mundo é pirata. Isso representa uma movimentação ilegal que chega R$ 4,6 bilhões. Em 2004, foi vendido R$ 1,2 bilhão em di de todos os trabalhos vendidos no planeta.

      Fábio Gallacci - Revista Enfoque Gospel