Quando já não houver contentamento (Ec 12v1)
 
Nascer, Viver, Morrer! Cada situação produz em nós reações e estas, nos proporcionam experiências que marcarão o tempo que nos resta a viver sobre a face da terra.
 
Por falar em terra, a terra, matéria prima de nosso corpo, parece não reconhecer o lugar que deve ocupar. O que é um boneco feito de barro sem o sopro do Divino? De que servirá? A palavra do Senhor questiona e desafia o homem a responder: O que é a vida? De onde viemos, para onde vamos, para que fomos criados? Chegando ao fim desta vida, quando as forças já forem poucas, os olhos começarem a escurecer, o caminhar for lento, as dores aumentarem, e como em uma flor frágil, o gafanhoto for um peso, será que haverá contentamento em sua vida? Quando tudo parecer chato, tedioso, nublado, triste, e a aproximação do pó da terra for mais presente, como o leitor vai encarar esta situação?
 
Em uma visita a uma irmã de nossa Igreja, esta com doença crônica e praticamente em estado terminal, fui acolhido juntamente com a minha esposa em sua humilde casa e ao adentrar a encontrei sentada em uma poltrona, lugar onde nos últimos dias era o seu lugar de dormir, alimentar-se, chorar, gemer (pois as dores eram muito fortes).
 
Fui chamado (e eu não sabia que seria tão forte) para ter uma experiência que creio estará para sempre gravada em meu coração.
Ao deparar-me com esta sofrida ovelha, cumprindo todo o protocolo sacerdotal, indaguei de como estava a irmã. Ela com o costumeiro sorriso tímido mas afável, respondeu: Estou bem Pastor! Fazendo companhia a convalescente, duas senhoras (não protestantes) a amparavam tentando amenizar a dor que fazia esta humilde serva de DEUS gemer, não tendo se quer posição para acomodar-se.
 
Diante deste quadro, eu petrificado e com o peso da interrogação de um ser humano falho e que as vezes ousa inquirir o SENHOR sobre ocorrências na vida dos que professam a fé no Salvador perguntei a irmã se desejava dizer algo para mim. A irmã com os olhos molhados pelas lágrimas que há tanto tempo insistiam em estar presente naquele rosto sofrido, retrato da cruel luta contra a morte que de perto a sondava, dirigiu a palavra a mim e a minha esposa, nos surpreendendo com um pedido de perdão por estar precisando de cura. A Igreja durante todo este tempo ocupou-se na intercessão por esta vida sem se quer sabermos o que haveria de acontecer aquela vida.
 
Tendo sido durante todo o tempo em que esteve conosco, um exemplo de vida e sinceridade à DEUS, não havia de minha parte se quer, nada que pesasse contra a ida da irmã contra a minha pessoa, meu ministério ou mesmo contra a minha esposa.
 
Mas ela precisava de uma palavra de perdão, a cura estava no perdão, não no tempo que ela deseja ter a mais de vida, não nas doses pesadas de quimioterapia ou radioterapia, ou nas incisões cada vez mais agressivas de cirurgias a que havia sido submetido. Com o coração contrito, mesmo não tendo nada do que apontar contra este membro do corpo de Cristo, a perdoei, pois havia uma afirmação por parte dela de que havia se entristecido comigo sem motivos e também com a minha esposa. Acariciei a face pálida mas serena desta peregrina, fiz um oração ouvindo dos lábios e mais profundo ainda, daquela alma íntima de DEUS, palavras de adoração, gratidão, reverencia, reconhecimento, satisfação por servir, e por estar sendo alvo, mesmo em meio a dor da sua misericórdia. Como uma pedra preciosa que reconhece a mão do joalheiro lapidando-a, como vaso nas mãos do oleiro, como fiel que deve ser, cumprindo o propósito para o qual foi criada, aquela vida deu-me o exemplo de que, como nos ensina a palavra de DEUS: Quer vivamos, quer morramos, que o façamos para o Senhor.
 
Ao sair daquela casa levei comigo a lição, o exemplo, e a necessidade de valorizar ainda mais o tempo que me resta nesta face de terra, sabendo que o tempo não quer dizer muito, mas sim a qualidade de vida que temos, pois plantamos aqui e colhemos na eternidade, precisamos “lembrar do nosso Criador, nos dias que ainda nos resta vigor”, antes que venham estes dias que são maus, antes que os olhos se escureçam, antes que o sustentáculos do corpo não suportem mais o seu peso e que a vaidade de viver seja arrebatada pelo desgosto, valorizemos a vida, mais que isto valorizemos o Autor da vida, reconhecendo que os dias que Ele nos deu devem ser vividos para o engrandecimento do Seu Nome, para o bem dos nossos semelhantes e para a edificação da vida futura, com Deus.
Pastor Josué José da Costa, pr.josuedacosta@advalovelho.com
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