Quem é o meu próximo?

Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.


      Mas quem é o meu próximo, a quem devo amar?
      A má compreensão de quem é o meu próximo pode deturpar o mandamento do amor. Uma resposta lógica a pergunta é: o meu próximo é quem está perto de mim, por isso é meu próximo? Portanto, devo amar em primeiro lugar os mais próximos, que são os meus familiares, e depois os amigos, os colegas e assim por diante?
      Aliás, óbvia demais! Se a resposta para “quem é o meu próximo?” é tão óbvia e todos já fazem isso; talvez esta compreensão do próximo esteja errada? (Mt. 5:46).
      Este erro de considerar o “próximo” como aquele que está fisicamente e afetivamente perto de mim não é novo.
      Tanto é verdade que o próprio evangelista Lucas sentiu a necessidade de esclarecer este ponto para Teófilo a quem escreveu o seu evangelho. Ele narra um encontro de Jesus com um professor da lei, em que o tema central é o mandamento do amor como caminho para a vida eterna. Esse professor pergunta a Jesus: “E quem é meu próximo?” e Jesus conta à famosa parábola do bom samaritano (Lucas 10: 25-37).
      Paremos para ver quem são os personagens da parábola: o sacerdote e o levita são pessoas santas e puras que servem a Deus no templo. São consideradas pessoas de bem pelo povo. Mas os dois estavam preocupados demais com o seu mundo, os seus afazeres, os seus valores, para atender o ferido.
      Para o povo judeu, os samaritanos, são pecadores, aqueles que já têm cadeira cativa no inferno.
      Para se ter uma idéia dessa marginalização, os judeus davam voltas imensas nas suas viagens só para não passar em Samaria. Mas Jesus coloca o samaritano como a única pessoa que para diante do assaltado.
      Ao fim da parábola, Jesus faz uma estranha pergunta: “Qual dos três, em sua opinião, foi o mais próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?” A pergunta inicial era, “quem é o meu próximo?” e Jesus a inverte para, “quem se faz próximo?”
      Só se faz próximo do “homem caído” quem sabe viver o amor de Deus como aquele samaritano.
      A questão não é quem é o meu próximo, mais quem eu faço meu próximo.

Ev. Gilmar dos Reis